Invisíveis. Assim continuam as lésbicas ante aos avanços do movimento LGBT. No ônibus que fui para Brasilia. Apenas eu, Cláudia Café e duas outras, e dessas, uma era heterossexual que achei muito digno em nos acompanhar.
Pela mobilização, sacrificio e garra de tod@s e todos a I Marcha Brasileira LGBT, foi mais que válida. Infelizmente a estrutura do espaço fisico para pernoitarmos foi horrivel. Dormimos na grama, sem tablado, sem energia, com banheiros quimicos péssimos,
Keyla Trans conseguiu tickets para que pudessemos amenizar a fome. O ônibus que nos levou tinha motoristas mal humorados, sanitário sem lâmpada. Voltou sujo, e na volta não tivemos água mineral dada pela empresa, mais uma vez Keyla pagou a água.
A empresa de onibus ATT tratou-nos como pessoas de quinta categoria, (que ainda assim sendo de quinta, acredito que deve ser tratada com respeito) parecia que era um favor.
Tratou mau travestis, e ignorou solicitações dos clientes diante do odor do sanitário, que estava dando dor de cabeça. Parou em restaurantes que não aceitava os tickets, em postos onde pagava para tomar banho, quando questionados sobre isso, disse q banheiros que não pagavam eram pebas. Reafirmei que havia feito uma viagem em março e todos os banheiros que fui, além de não pagar, tinha chuveiros quentes e eram excelentes.
Infelizmente esse tipo de postura não dá mais pra ser vista tranquilamente por quem milita no movimento. Somos pessoas que lidamos o tempo inteiro com dificuldades, se além disso, ainda tivermos que numa relação capital prestação de serviços, aceitarmos ser tratadas assim, tudo que buscamos e reivindicamos será jogado no lixo.
O que valeu foi o encontro das lideranças, a garra e coragem de poucos, as trocas de experiencias, as brincadeiras que viemos fazendo para amenizar as mais de 26 horas de viagem.
No mais, procurei em todos os sites matérias onde uma única lésbica do movimento, da base, tivesse sido entrevistada e nada. A consolidação dos gays, trans e travestis não está sendo posta em dúvida. Mas é bom repensar quanto a próxima MARCHA. Sabemos do esforço da ABGLT,de Keyla, Milena, Vinicius, Alessandro e outros.
Mas sabemos também de que quem não foi e não fez nada irá questionar (digo dos que nem se manifestam, ou dos novos lideres que não conseguem nem fazer um oficio, não das lideranças que etão em outras atividades) sobre a legitimidade dos lideres que foram pra Brasilia e bravamente estavam lá sem a menor condição estrutural.
Reforço mais uma vez, que quem não tem competencia não se estabelece. Esperamos que as equivocadas e os equivocados não continuem jogando por água abaixo toda nossa luta e se vendendo por tão pouco ou quase nada.
Sendo tratados sem o menor respeito ou cuidado. Acredito que quem continua com a cuia na mão, vale apenas as moedas depositadas nela. Tirar esses politicos picaretas que fingem ajudar e depois nem sequer dialoga é tarefa de quem enfrentou todo esse sacrificio para estar na I marcha, tirá-los do poder deve ser exercitado cotidiariamente, porque mesmo que digam que não são homofóbicos, se calam e contribuem com a segregação.
Vale repensar também que a AVAAZ conseguiu mais de 100 milhões de assinatura para o ficha limpa e a gente não consegue 1 milhão para aprovar o PLC 122/06. Assinaturas essas que também contribuimos.
Vale rever o autofagismo e o individualismo existente dentro do movimento. Porque quando agimos assim, somos cumplices das mortes que acontecem, somos mais que responsáveis pela homofobia praticada dia a dia, somos co-autores da segregação no trabalho, social e financeira de cada lésbica, gay, transexual, travestis e transgenero que é empurrada para a criminalidade e o mundo das drogas.
Vale sair do discurso e ir para ação, e caso não se consiga isso, valorizar quem atua, quem implementa, quem consegue e se unir pra somar. Na viagem percebi o quanto cada pessoa que foi no ônibus da Bahia cuidava uma da outra, essa atitude me deixou mais leve ao saber que ainda podemos acreditar numa melhora.
E mais, sugiro que ninguém em sã consciência indique a empresa de ônibus ATT nem pro pior inimigo.
Saud@ções de Harmonia, antipreconceitos homofobia e lesbofobia!
Lyz Gomes
Grupo LGBT OMNI

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