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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Conquista sedia III Encontro de Travestis e Transexuais da Bahia

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III Encontro de Travestis e Transexuais da Bahia


Pela primeira vez, o encontro será realizado no interior.
Vitória da Conquista foi escolhida para ser a cidade-sede

Entre os dias 13 e 15 de novembro de 2012, Vitória da Conquista sediará o III Encontro de Travestis e Transexuais da Bahia. O evento é uma promoção da Associação de Travestis de Salvador (ATRAS) e conta, no município, com a realização do Finas – Coletivo de Diversidade Sexual e o apoio da Assessoria Técnica de Políticas de Diversidade Sexual da Prefeitura de Vitória da Conquista. 

A abertura do encontro será dia 13 de novembro, às 19h, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, localizado na Avenida Rotary Club, nº 45, Candeias. Todos os outros dias do encontro ocorrerão na Pousada da Conquista – Resort Spa.

O III Encontro preparou uma programação diversificada para 2012: partindo do tema “Em busca do reconhecimento pela identidade”, serão organizadas mesas redondas, grupos de trabalho e oficinas culturais para tratar de questões relativas à educação, saúde, segurança pública e direitos humanos no universo do público de travestis e transexuais.

Clique na imagem para conferir a programação
 Assim como nas edições anteriores, o Encontro trará assuntos recorrentes do cotidiano das travestis e transexuais do Estado da Bahia, reforçando, mais uma vez, que a transfobia desencadeia e realimenta processos discriminatórios, representações estigmatizantes, processos de exclusão, dentre outros, voltados contra tudo àquilo que remeta, direta ou indiretamente, às práticas sexuais e identidades de gênero discordantes do padrão heterossexual e dos papéis estereotipados de gênero.

Sobre as vagas
Serão destinadas, ao todo 120 vagas, assim distribuídas: 40, com direito à alimentação, para as 19 cidades que compõem a 20ª Diretoria Regional de Saúde (DIRES) e 80, com direito à hospedagem e alimentação, para os outros municípios baianos.

São municípios que compõem a 20ª Dires: Anagé, Barra do Choça, Belo Campo, Bom Jesus da Serra, Caetanos, Candido Sales, Caraíbas, Condeúba, Cordeiros, Encruzilhada, Maetinga,  Mirante, Piripá, Planalto, Poções, Presidente Jânio Quadros, Ribeirão do Largo, Tremedal e Vitória da Conquista.

Informações
Quaisquer informações sobre o evento podem ser pelo e-mail 3encontroTTvca@gmail.com ou por telefone: (77) 8837.1863 – Danillo Bittencourt ou (77) 8836.8692 – Raphaela Souza.
 
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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Servidores públicos estaduais travestis e transexuais poderão usar nome social

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Nesta quinta-feira (6), os servidores públicos estaduais travestis e transexuais da administração direta ou indireta tiveram uma conquista. Eles terão o direito de utilizar o nome social em atos, procedimentos e processos.

A medida foi estabelecida através de uma portaria assinada pelos secretários estaduais da Administração, Manoel Vitório, e da Justiça, Cidadania Direitos e Humanos, Almiro Sena. A Secretaria da Administração (Saeb) terá 60 dias, após a publicação da portaria, para implantar o campo destinado à inscrição do nome social indicado pelo servidor no Sistema Integrado de Recursos Humanos (SIRH). 

A conquista deste direito acontece dias antes da 11ª Parada Gay da Bahia. O evento, que será realizado neste domingo (9), comecará no Campo Grande e terá a sexóloga e senadora Marta Suplicy como madrinha. 

No dia 15 de março deste ano, a primeira transexual a assumir um cargo na Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia (SJCDH), Paulete Furacão (foto ao lado), foi empossada. A Bahia passou a ser o primeiro estado a ter no seu quadro de funcionários uma transexual.

Fonte: iBahia
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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Prefeito de Camaçari assina decreto do nome social nesta quarta 23

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Dia 23 de Maio, o Prefeito Luiz Caetano assina o decreto que dá direito ao uso do nome social da travestis e transexuais de Camaçari. Confira a programação:

PROGRAMAÇÃO

8h15 – Credenciamento de participantes

8h45 – Entrega de materiais e informações para os participantes

9h – Abertura do evento - Composição da mesa

Prefeito Luiz Caetano (foto)

Secretário da Cidadania e Inclusão - Carlos Silveira

Presidente da Associação de Travestis de Salvador - Milena Passos

Presidente da Associação de Travestis de Camaçari - Natasha Kiss 
Vereadora da Cidade do Salvador - Leokret do Brasil

Delegada de Homicídio de Camaçari - Maria Tereza

Coordenação do Núcleo LGBT da Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos da Bahia - Paulete Furação

Coordenador do Cajuc (Centro de Assistência Judiciária e Cidadania) – Dr° Augusto de Paula

9h20 - Assinatura do Decreto do nome social das Travestis e Transexuais de Camaçari pelo prefeito de Camaçari, Luiz Carlos Caetano

9h30 - Mesa de Redonda - Diversidade Sexual e Homofobia - A intersetorialidade entre as políticas sociais para garantir direitos à população LGBT.

10h30 - Intervalo para coffee break

10h45 - Exposição Dialogada

11h45 - Encerramento
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quarta-feira, 16 de maio de 2012

[ARTIGO] Banheiros para novos apartados? - Jaqueline Jesus

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Na Universidade Federal do Rio Grande do Norte uma doutoranda foi impedida por seguranças de utilizar o banheiro feminino porque era transexual. Ao se opor a essa arbitrariedade, ameaçaram arrancar-lhe a cabeça. Como resposta da instituição, foi criado um banheiro unissex, o que não me parece solução, mas opção impensada pela criação de um espaço estigmatizado e apartado para cidadãos considerados de “segunda classe”.

Uma travesti que tinha processado um shopping mineiro por tê-la impedido de usar o banheiro feminino recebeu estupefata a decisão do juiz, segundo o qual o ato do shopping foi correto, para “preservar a própria segurança e ordem no uso do banheiro público reservado às mulheres”. Infere-se, das palavras desse magistrado, que travestis são naturalmente perigosas, acarretam risco para si e para outros, e que é justo excluí-las ou expô-las aos perigos de uma pessoa com aparência feminina usar um banheiro masculino. Ela afirmou que irá recorrer.

É uma obviedade afirmar que as pessoas precisam ter acesso a um banheiro. Entretanto, vê-se que há casos de pessoas transgênero (transexuais e travestis) sendo impedidas desse direito, geralmente por autoridades desinformadas. A iniquidade no acesso ao banheiro tem sido uma das maiores barreiras para a integração de homens e mulheres transexuais na sociedade brasileira.

Apartheid: palavra da língua holandesa sul-africana que significa “à parte”. Na África do Sul o termo definia a política de segregação entre os brancos e os definidos como “não-brancos”, com base em uma filosofia que reivindicava a supremacia dos brancos. As pessoas eram obrigadas a ocupar espaços diferentes, em função da sua cor, incluindo banheiros. Historicamente, a falta de banheiros femininos foi uma estratégia para manter mulheres fora de espaços tradicionalmente dominados por homens. Ressalte-se que apenas na época da constituinte um banheiro feminino foi instalado para as deputadas no Congresso Nacional.

Essa é uma questão de gênero, e se está repetindo essas apartações com relação a mulheres transexuais (preconceituosamente consideradas inferiores às mulheres biológicas) e aos homens transexuais (também considerados, por alguns, como inferiores aos biológicos). A identidade de gênero é central para vida pública e privada de qualquer ser humano, não apenas para as pessoas transexuais, independentemente de anatomia ou fisiologia. Não reconhecer essa vivência leva a sofrimento e constrangimentos.

Como resultado de toda essa discriminação, as travestis, os homens e as mulheres transexuais que enfrentam o problema têm sofrido problemas graves de saúde, e até mesmo são demitidos ou abandonam a escola por se recusarem a utilizar um banheiro para pessoas de um gênero com o qual não se identificam.

E especialmente as mulheres transexuais, quando se submetem ao absurdo de utilizar um banheiro masculino, são alvo de agressões e abuso sexual. É justo que elas sejam abusadas? Elas não gozam das mesmas proteções legais dos demais cidadãos? Isso é desumano.

Os casos de proibição do uso de banheiro evidenciam uma lógica de discriminação, cuja mensagem é a de que essas pessoas são percebidas como ameaçadoras, ou que é normal serem agredidas por pessoas ignorantes, percepções evidentemente estereotipadas, e que levam à concepção inconstitucional de que, com tal proibição a mulheres e homens transexuais, estar-se-ia “prevenindo crimes”, fato visto apenas nas histórias de ficção científica.

É indispensável reconhecer que locais de trabalho, escolas e outros espaços públicos e privados precisam tornar os banheiros acessíveis e seguros também para as pessoas transgênero. Essa é uma questão fundamental de acessibilidade e respeito ao ser humano.

Há honrosas exceções. Instituições públicas e privadas têm compreendido as demandas da população transgênero que nelas trabalha ou usa seus serviços, e mesmo que não haja legislações a respeito, têm adotado os nomes e permitido acesso aos banheiros concordantes com o gênero com o qual as pessoas se identificam. É preciso, porém, que as cidadãs e os cidadãos preocupados com o avanço da democracia no Brasil estejam atentas para eventuais violações de direitos fundamentais, decorrentes de puro preconceito.

Artigo recebido por e-mail
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Rio Grande do Sul autoriza travestis e transexuais a usarem nome social em documentos

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Os travestis e os transexuais do Rio Grande do Sul poderão, a partir do dia 17, escolher o nome que querem usar em documentos de identidade. Por enquanto, os novos documentos, chamados de Carteira de Nome Social, só serão válidos no estado. No dia 17 se comemora o Dia Estadual de Combate à Homofobia.

A decisão do governo do Rio Grande do Sul foi tomada depois de uma longa negociação entre autoridades estaduais e representantes de organizações não governamentais (ONGs). A iniciativa está no Decreto nº 48.118, de 17 de maio de 2011.

A diretora do Departamento de Direitos Humanos e Cidadania da Secretaria de Justiça e Direitos Huma, Tâmara Biolo Soares, disse que a decisão é o primeiro passo para conquista da cidadania plena. Segundo ela, a iniciativa reduz também situações de desconforto e até mesmo preconceito sofrido por transexuais, transgêneros e travestis.

“O reconhecimento do nome social pelo Poder Público é muito importante para promover uma cidadania concreta para os travestis e transexuais. A não consideração do nome social gerava um ambiente propício ao preconceito”, disse Tâmara.

A diretora acrescentou ainda que, com esse direito garantido, os transexuais deverão obter também mais condições de acesso a serviços públicos. Segundo Tâmara Biolo, muitos transexuais deixavam de buscar esses espaços por medo de constrangimento.

A transexual Luísa Stern (foto), militante da ONG Igualdade do Rio Grande do Sul, enfrentou uma longa batalha judicial para garantir a mudança de nome nos documentos. Ela comemorou o pioneirismo gaúcho. “É uma grande conquista. No meu caso, eu consegui pelo Poder Judiciário, mas para aqueles que não têm condições é uma oportunidade. Já há uma procura muito grande. Não é preciso se submeter a um psiquiatra nem a um processo judicial.”

Na semana passada, o Congresso da Argentina aprovou medida semelhante, mas com a diferença de que a mudança dos documentos para o nome social é válida em todo território. A aprovação da lei foi comemorada por organizações não governamentais do país e do exterior.

Fonte: Agência Brasil
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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Simpósio Nacional de Política para Transexuais acontece em Salvador

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Simpósio teve data alterada para início de junho

A Associação de Travestis de Salvador (ATRAS) e a Articulação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) realizarão com o apoio da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia e da Coordenação Estadual de DST/AIDS o I Simpósio Nacional de Política para Transexuais com o seguinte eixo central: Promoção ao Respeito e Visibilidade de Transexuais.

O evento será realizado em Salvador, no período de 13 a 16 de maio [data foi adiada, conforme informe abaixo], com a finalidade de discutir políticas específicas para pessoas que vivenciam a transexualidade, juntamente com o poder público e seus respectivos representantes.

A idealização do Simpósio surgiu a partir de discussões e demandas suscitadas entre representantes nacionais por ocasião de uma deliberação no XVIII Encontro Nacional de Travestis e Transexuais (ENTLAIDS).

As inscrições serão recebidas exclusivamente através do e-mail: comissao.simposio@yahoo.com.br.

Fonte: Dois Terços

 SOBRE A MUDANÇA DE DATA
Prezados(as)  participantes e palestrantes,

Em virtude de problemas com a licitação do hotel para o evento em referência, fui informada através de reunião (hoje à tarde) na Coordenação do Programa Estadual de DST/AIDS da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, que o evento em referência previsto para acontecer nos dias 13 a 16 de maio de 2012, foi transferido para o período de 10 a 13 de junho de 2012.

Desse modo, em nome da Associação de Travestis de Salvador - ATRAS e da Articulação Nacional de Travestis e Transexuais - ANTRA, solicitamos desculpas pelos eventuais impactos em suas agendas pessoais e, gostaríamos que todos(as) vocês pudessem abrilhantar o evento com suas respectivas  presenças.

Mais uma vez, muito obrigada pela atenção e compreensão.

Att.,

Millena Passos
Presidenta
Associação de Travestis de Salvador – ATRAS
Secretária Geral da ANTRA
Membro do Comitê LGBT da Bahia

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Transexuais poderão disputar o Miss Universo

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Jenna Talackova (foto) é uma divisora de águas. Depois que a transexual foi desclassificada do concurso de Miss Canadá, cuja organização descobrira que ela não nascera mulher, e, com o clamor popular, acabou voltando à disputa, chegou a vez do tradicional Miss Universo mudar as suas regras.

De acordo com a GLAAD, entidade que defende os direitos dos homossexuais, a organização do Miss Universo está mudando os seus estatutos para permitir que transexuais disputem o concurso de beleza mais famoso do mundo.

"Temos uma longa história de apoio à igualdade para todas as mulheres, e isso é algo que levamos muito a sério", disse Paula Shugart, presidente da organização do Miss Universo.

A transexual de 23 anos fez a cirurgia de mudança de sexo aos 19, após cinco anos de terapia hormonal.

Fonte: Page Not Found
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sexta-feira, 23 de março de 2012

[ARTIGO] Trabalhadoras transexuais em destaque - Jaqueline de Jesus*

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Entre discussões infantis sobre o que é ser mulher e depoimentos naturalizantes, que defendem a formatação dos corpos, disfarçados de elogio, grande parte da mídia aproveitou o Dia Internacional da(s) Mulher(es) para tratar dos desafios das mulheres que vivenciam a transexualidade, mesmo que de forma limitada.
Ao longo dos últimos anos, o tema tem sido mais abordado, mesmo que com base em muita desinformação e com enfoque em aspectos “curiosos”, voltados apenas a procedimentos cirúrgicos ou dificuldades relativas ao registro civil, como se fossem o único elemento importante na vida de pessoas transexuais de ambos os gêneros, desconsiderando a sua diversidade de vivências como seres humanos – em casa, na rua, no trabalho.
As mulheres sempre participaram do mundo do trabalho: subalternizadas, mas estavam lá. A partir das novas ideias e comportamentos trazidos com o movimento feminista e a liberação sexual, a percepção sobre quem são as mulheres se ampliou, deixou de apenas se remeter à mulher branca, abastada, casada, com filhos, e passou a acatar a humanidade e a feminilidade de mulheres outrora invisíveis: negras, indígenas, pobres, com necessidades especiais, idosas, lésbicas, bissexuais, solteiras etc. e, recentemente, transexuais.
Revolução silenciosa
Entretanto, ainda hoje, no século 21, as mulheres transexuais sofrem para terem garantido o direito à identidade, a serem reconhecidas social e legalmente pelo gênero com que se identificam e querem ser identificadas. Jovens desistem de estudar em escolas onde são agredidas diariamente, quando não são expulsas. Desprezadas por suas famílias, são novamente violentadas e igualmente expulsas. Apesar de tanta dor e exclusão, elas perseveram por causa da felicidade íntima que sentem por serem quem são, amam e são amadas por alguns, formam famílias.
A vida corporativa reflete a discriminação a que são submetidas na sociedade. Mesmo que se tornem adultas qualificadas, veem restringidas suas oportunidades de trabalho: permitem-lhes ser cabeleireiras, costureiras, artistas ou prostitutas. Nada mais. A sociedade que despreza essas mulheres é a mesma que as explora, de maneira hipócrita, financiando um mercado movimentado de pornografia e desumanização.
A empregabilidade das pessoas transexuais é um aspecto crucial para sua cidadania, porém esquecido pelo poder público. Entretanto, algumas dessas mulheres, em função de lutas individuais e reivindicações dos movimentos sociais, conseguem se destacar, ocupam outros espaços, sobrevivem para se tornarem símbolos, nesta e naquela organização, de uma mudança profunda neste país: o entendimento de que a identidade de gênero não é determinada por cromossomos, órgãos genitais, documentação ou cirurgias, ela é determinada pela forma como as pessoas se identificam, como se sentem e como preferem ser tratadas neste mundo. É uma revolução silenciosa.
A mídia tem muito a contribuir
Apesar de haver pessoas transexuais nos diferentes espaços sociais, políticos, técnicos ou acadêmicos, a visibilidade dessas pessoas nos meios de comunicação, é concentrada no aspecto marginal ou criminal vivido por uma parcela dessas, em função da discriminação que vivenciam, e pouco no seu cotidiano, como se não interessasse conhecer as demandas profundas de tais homens e mulheres.
Há muito por se fazer. A maioria dos ambientes de trabalho continua a obrigar mulheres transexuais a se vestirem, a se identificarem publicamente e a utilizarem banheiros que não correspondem a quem elas são. Desrespeito que se tenta justificar com normas e costumes autoritários. Felizmente, aumenta o número de locais de trabalho que entendem os direitos das pessoas e se tornam espaços de libertação para as pessoas transexuais.
Não é difícil e não envolve muitos custos porque no fim das contas as mulheres transexuais só pedem para serem vistas como seres humanos e tratadas como elas são: mulheres. E a mídia tem muito a contribuir nesse sentido: basta apresentá-las com respeito, como qualquer pessoa merece.
*Jaqueline Gomes de Jesus é psicóloga e doutora em Psicologia Social e do Trabalho pela Universidade de Brasília. Publicado originalmente no Observatório da Imprensa.
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segunda-feira, 19 de março de 2012

[ARTIGO] O significado de Paulett Furacão - Nilton Luz

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Toda a mídia baiana e nacional noticiou. As redes sociais ferveram com a posse. A militância LGBT está em estado de êxtase. Paulett Furacão fez história ao se tornar a primeira transexual a assumir um cargo público no Governo da Bahia. E vai coordenar um núcleo especificamente criado para cuidar da agenda dos direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

Paulett Furacão tem uma trajetória reconhecida na militância LGBT. Fundou e dirigiu a Associação Laleska d’Capri, cujo nome homenageia uma transexual assassinada no Nordeste de Amaralina, um dos maiores bairros negros de Salvador, onde é extremamente respeitada. Ela também tem experiência na administração pública, atuou em projetos sociais para inserção de adolescentes e jovens no mercado de trabalho antes de ser convidada pelo secretário Almiro Sena.

Foi recepcionista, educadora social e assistente da coordenação pedagógica, demonstrando como pode evoluir neste ambiente mesmo sem a formação superior que um sistema educacional transfóbico lhe negou. Também esteve conselheira estadual de proteção aos direitos humanos, contribuindo de forma voluntária na mesma Secretaria que hoje a empossa.

Paulett Furacão representa o olhar identitário sobre as políticas públicas para LGBT, que não avançaram quase nada no Governo Jacques Wagner. O que não implica que Paulett superará esse quadro, diante da pequena autonomia que o núcleo LGBT dispõe. Isso significa que se mantém a exigência de acompanhamento e pressão dos movimentos sociais.

O risco de que a indicação de Paulett amortize os enfrentamentos que o movimento LGBT da Bahia ensaia encarar com o governo é, portanto, efêmero. Se essa era a intenção do governo, escolheram a mulher errada. Dinâmica, Paulett deverá ser eficiente na pressão interna, enfrentando a transfobia, lesbofobia e homofobia institucionais.

E mesmo que seu trabalho seja obstruído, e o núcleo não tenha bom desempenho, a força simbólica da transexual negra abrindo a porta da Secretaria de Justiça e tomando posse de uma função pública já é, por só, uma ruptura. Trata-se de um marco histórico em uma Terra marcada pelas desigualdades, onde Paulett Furacão representa a face mais violentada de diversas discriminações somadas. Não se trata, portanto, de um fato qualquer e não deve ser relevado nem esquecido.

Nilton Luz é coordenador de organização da Rede Afro LGBT 
Artigo originalmente publicado no blog da Rede Afro LGBT
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sexta-feira, 16 de março de 2012

Prefeitura assegura às travestis e transexuais utilização do nome social

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Uma das principais bandeiras de luta de travestis e transexuais é o direito de utilizar o nome social - aquele que não corresponde ao registrado na certidão de nascimento, mas a forma pela qual elas se reconhecem e desejam ser tratadas nos ambientes públicos e privados de maneira geral. Desde o dia 14 de fevereiro, a Prefeitura de Vitória da Conquista sancionou o Decreto 14.273 que garante a utilização do nome social por essa parcela da população em todos os órgãos da Administração Municipal, como unidades de saúde, escolas e serviços sociais.

A medida é uma demonstração de respeito à identidade de gênero das travestis e transexuais e faz parte de uma série de ações desenvolvidas pelo Governo Municipal, com o objetivo de contribuir na promoção da cidadania, independente da orientação sexual das pessoas.

O nome social poderá ser utilizado no preenchimento de fichas de cadastros, formulários, prontuários, registros escolares e documentos semelhantes e para atendimento nos serviços prestados por qualquer órgão ou entidade municipal. Ele será imediatamente adotado a pedido das pessoas maiores de 18 anos ou do responsável, quando for de interesse da criança ou adolescente.

O decreto também assegura que o nome social será utilizado para se referir a essas pessoas, evitando no convívio social a utilização do respectivo nome civil.

Visibilidade e garantia de direitos – Recentemente a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista criou a Assessoria Técnica de Políticas para Diversidade Sexual, vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social. 

Além disso, para comemorar o Dia Nacional da Visibilidade Trans, comemorado em 29 de janeiro, a Prefeitura preparou uma campanha publicitária para combater o estigma e o preconceito da sociedade em relação às travestis e transexuais. Com o tema “Respeito e dignidade. É isso que queremos”, a campanha contou com outdoor, banner eletrônico e mobiliário urbano.  Foi a primeira vez que a Prefeitura de Vitória da Conquista realiza uma campanha publicitária voltada especificamente para a população de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais/LGBT.

Outra atividade desenvolvida é o curso de formação em direitos e práticas referentes a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais/LGBT voltado para a capacitação da equipe técnica dos serviços e programas sociais existentes no município.

Entre o final de maio e o início de junho, Vitória da Conquista sediará o III Encontro de Travestis e Transexuais do estado da Bahia. No evento, serão discutidas temáticas relacionadas à garantia de direitos dessa parcela da população.

Fonte: SECOM/PMVC
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segunda-feira, 12 de março de 2012

Em dia especial, transexuais contam que ser mulher é 'questão de alma'

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Jeane Louise tem 19 anos e estuda publicidade
(Foto: Tatiana Maria Dourado)
“Uma mulher aprisionada em um corpo de homem”, é assim que se sente a universitária Jeane Louise, 19 anos, estudante do 5° semestre de publicidade, em Salvador. Transexual, assim como muitas outras, quer entrar na fila do SUS para realizar cirurgia de redefinição sexual, processo final da reconstrução de sua estética feminina, iniciada ainda na infância.

“Chega um momento em que sua verdade é muito forte, é questão de alma. Nas brincadeiras de infância, minhas personagens eram sempre do gênero feminino, me refugiava ali. Depois veio a blusa, o cabelo, a calça apertada, o furo na orelha. Em geral, nenhuma transexual sabe que é transexual, é um processo de conhecimento, de acesso à informação”, afirma.


O enfrentamento das pessoas que nasceram homens, mas assumem papéis sociais femininos e lutam para serem reconhecidas pela maioria é vivido por transexuais como Jeane, que remonta a forma física através de hormônios, silicone, implante capilar e outros paliativos como a maquiagem. Mas o desejo de formalizar a transexualização, para ela, só será completa com a alteração do órgão sexual, que pode ser conquistada por meio da cirurgia de transgenitalização, instituída no Brasil em 2008 com a Portaria de número 457, do Ministério da Saúde. Atualmente, a cirurgia é autorizada apenas em quatro hospitais universitários: um da UFRG, Porto Alegre; um da UERJ, Rio de Janeiro; um da USP, em São Paulo; e o da UFG, em Goiás.


Cento e dezesseis brasileiras já passaram pelo procedimento, que consiste na amputação do pênis e construção da neovagina. É preciso, antes, que a mulher transexual passe por etapas preparatórias, que preveem avaliações psicológicas e psiquiátricas, terapia hormonal, avaliação genética e acompanhamento pós-operatório, conforme especifica o Ministério.


“Vou concluir o primeiro ano de terapia, a fila é enorme e esse trâmite é muito sofredor. Temos que ser guerreiras para conquistar espaço. Mas sei que vou me sentir realizada. Hoje, quando me olho no espelho, me vejo incompleta, com aquilo que não condiz à minha mente. Ser mulher ou homem está na mente, não é a aparência física”, avalia a estudante.

Jeane Louise encarou cedo o autoconhecimento e aceitação, mesmo em meio ao coro de “viadinho” que diz ter sido bastante emitido pelos colegas no período em que esteve em uma "escola de padres".

“Eu realmente 'metia a mão' neles e ia para a diretoria. Se continuasse ali, iria entrar em depressão, porque eu chegava no colégio, colocava maquiagem e me mandavam tirar. Era horrível! Pensava: se não puder usar em casa ou no colégio, onde iria usar? Saí de lá, fui para uma escola pública e foi lá que me encontrei de verdade como mulher; o pessoal tinha a cabeça mais aberta”, lembra.


Jeane mora com a mãe - os pais são separados - e diz que sabe diferenciar o respeito da aceitação. "Minha mãe teve um filho e até hoje ela não me chama de Jeane dentro de casa. Meu pai era muito machista e me surpreendo com o respeito que me trata. Não digo que me aceitam, mas respeitam e isso já dá força. Faço tudo com os pés no chão”, comenta.


Filha de sargento

A cabeleireira Luana Neves também luta pela conquista plena de pertencer ao gênero, porém há mais tempo, desde os 18 anos, quando saiu de Mato Grosso do Sul para morar na capital baiana. Neste período, compreendeu que, para ela, mais importante que o processo de transgenitalização seria a retificação jurídica do nome civil. “Tenho convicção de que quero fazer a cirurgia, mas meu principal desejo é o da retificação do nome. Eu evito ir a hospital, banco, fico muito arrasada em relação a isso, porque estou vestida de mulher, mas as pessoas me chamam com meu nome de batismo, não o social, por puro preconceito”, afirma. O projeto de lei 72/07, do deputado Luciano Zica (PV), que prevê a alteração do nome civil para o social nas disposições da Lei dos Registros Públicos (Lei n° 6.015/1973), tramita no Senado e, atualmente, aguarda a designação do relator.

Filha de sargento do Exército, um dos grandes sonhos de Luana, já tentado e descartado, era o de seguir a carreira militar. Chegou a se alistar, passou em todos os testes, inclusive o psicológico e o de aptidão física, experimentou a roupa no quartel. Até que não resistiu ao incômodo do ambiente e confessou ao general a sua orientação sexual.


“Eu tinha no sangue a vontade de seguir carreira na área militar, sempre tive esse sonho, mas, naquela época, me senti muito mal. Estava prestes a assumir uma personalidade que não era a minha”, afirma.


Por vontade, revela que gostaria de ser advogada, no entanto, conta que precisou se condicionar à restrição do mercado de trabalho às transexuais e que é cabelereira não por opção, mas por maior aceitação.


“Quando meus pais saíam de casa, eu colocava a roupa de minha mãe, salto, toalha na cabeça, para fingir que tinha cabelo. Quando a percebia já no portão, jogava tudo aquilo embaixo da cama. Mas eu não sabia em que perfil me encaixava, se era travesti, transexual, drag queen. Eu sempre fui muito fechada e tímida, o que me causou depressão. Eu colocava meus esforços todos no estudo, achava que tinha que estudar para ser uma pessoa de poder”, relembra. Hoje, saias e vestidos, sempre "discretos", são as roupas que mais usa. Já na praia, não abdica de biquínis e cangas.


Ser transexual

O professor e membro do grupo Cultura e Sexualidade, do Departamento de Comunicação da UFBA, Leandro Colling, explica que, para ser transexual, não é preciso concretizar a redefinição sexual necessariamente com cirurgia. “Existem casos em que a pessoa se identifica como transexual e não deseja fazer a completa mudança no corpo. Tem gente que se sente transexual e basta colocar seio, tomar hormônios, para não deixar crescer pêlos; o pênis é o que menos importa. O sexo não pode ser reduzido à genitália, tem a diversidade”, aponta.

Colling, que também é membro do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, órgão do governo federal, explica que categorias como homem ou mulher não devem ser tão rígidas na sociedade. “As pessoas têm ideias fixas nas suas cabeças, mas, se você olhar para a vida, os homens e as mulheres estão cada vez mais borrando essas fronteiras, desde profissões, gestos, produtos, depilação”, relata.


A autoestima das transexuais é trabalhada no processo terapêutico, de modo que elas possam enfrentar os entraves culturais, como argumenta a psicanalista Suzana Vieira, 46 anos. Segundo ela, existe uma tendência dessas mulheres ao isolamento e à depressão, que pode ser agravada pela falta de apoio das famílias. “As sensações começam desde a infância e, desde então, as pessoas a veem como um menino, ela também se vê fisicamente como menino, mas lida com desejos de menina e começa a esconder os órgãos sexuais. A terapia ajuda a pessoa a entender tudo isso”, ressalva a psicanalista.


Relação com héteros

Por serem socialmente mulheres, as solteiras Jeane e Luana se relacionam com homens e hoje se afirmam heterossexuais. “Eu dou até risada com alguns homens desavisados. Às vezes você já está em um nível de envolvimento e aí tenho que explicar que sou transexual. Tem alguns que não gostam. Me considero realmente hétero”, comenta. “Gosto de homem que gosta de mulher, apesar de ser complicado porque nem todo mundo tem coragem de assumir uma transexual”, ressalva Jeane.

Leandro Colling explica que o gênero não se confunde com a prática sexual. “Ser gay é outra coisa. Existem vários homens que transam com outros e a identidade é heterossexual, a gente precisa respeitar isso. A prática sexual não é um elemento definidor de identidade. Se pessoas se sentem mulheres e transam com homens esse sexo é heterossexual”, acrescenta.

Fonte: Gay1
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