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domingo, 25 de março de 2012

União entre dois homens consumada em cartório surpreende moradores de Manhuaçu

5 comentários
O casamento de Wanderson Carlos de Moura e Rodrigo Diniz (no centro da foto ao lado) dividiu opiniões em Manhuaçu, na Zona da Mata. "É meio estranho assim de cara, mas não tenho nada contra, não. Cada um tem seu jeito de ser feliz", disse a estudante Ana Paula de Oliveira, que não conhecia quem se casava, mas se esgueirava na porta de entrada para ver melhor. No outro lado da rua havia uma plateia de 20 pessoas. "A que ponto se chega", reprovou a aposentada Maria Izabel Pinheiro, de 80 anos, semblante sério. "Até aqui, tudo bem, mas no religioso não dá", sentenciou a filha dela, a empregada doméstica Mônica Pinheiro, de 50.

Wanderson e Rodrigo dizem nunca ter sofrido qualquer tipo de preconceito na rua quando saem juntos, mas evitam andar de mãos dadas. “Tenho receio dos comentários”, justifica Wanderson. Uma viatura da Polícia Militar acompanhou a cerimônia no cartório. “Por ser uma situação atípica, tem gente que ainda não entende... isso aí, né?”, justificou um dos soldados de prontidão. Mas não houve qualquer transtorno no decorrer da cerimônia.

Enquanto isso, os comentários se multiplicavam do lado de fora. A atendente de caixa Alessandra Vaz, de 24 anos, diz não ter “nada contra, mas é estranho duas pessoas do mesmo sexo se casando...talvez devesse ser proibido. Cada uma tem uma opção de sentimento, mas é errado em termos de religião. Sou católica. Não é errado ser gay, mas praticar sim”, disse. 
Cerimônia inusitada em um cartório da cidade atraiu curiosos, que apoiaram ou criticaram a união gay

O estudante Tiago Reis, de 20, foi enfático: “Se eles se sentem bem assim, não tenho nada contra. Normal não acho, mas a gente não pode se intrometer na vida dos outros, mas se saírem se beijando na rua, acho estranho. Fica esquisito dois barbudos se beijando. É tranquilo se tiverem vida de casal só dentro de casa. Na rua acho que não faz bem, porque daqui a pouco menino vai beijar menino e menina vai estar beijando menina”. Além dos comentários nas ruas o assunto também se espalhou por meio das redes sociais, como Facebook e Orkut. 

O padre e pároco da Paróquia São Lourenço, de Manhuaçu, Luís Carlos Ramos, de 38, também se manifestou: “A notícia me pegou de surpresa. Isso não é casamento, é um contrato civil. Desde o início, é normal somente que homem e mulher se unam. O Estado é laico e tem suas leis, mas a Igreja só reconhece o sacramento do matrimônio entre pessoas de sexos diferentes”.

País
O Brasil já registra 10 casamentos de homossexuais. A exemplo de Minas, houve uniões desse tipo em Goiás, Rondônia, São Paulo, Campo Largo, no Paraná, e em outros estados. Os interessados podem recorrer à Justiça para casar diretamente no Cartório de Registro Civil, sem passar pela união civil estável, como ocorreu com os moradores de Manhuaçu.

Perfil
Manhuaçu fica na Zona da Mata, a 278 quilômetros de Belo Horizonte, com população de 80,5 mil habitantes. O nome da cidade é de origem tupi e significa chuva grande. Mas há outras explicações para a palavra, que seria formada por mandi (peixe) mais yuba (amarelo) e asu (grande). E mais: Manhu é igual a rio e açu significa grande: portanto, Manhuaçu quer dizer rio grande. Emancipado em 5 de novembro de 1877, Manhuaçu só passou à condição de cidade alguns anos depois. Nesse período, perdeu uma área territorial que originou mais de 70 municípios no Leste de Minas.

Hoje, tem 621 quilômetros quadrados e continua sendo o maior da microrregião, além de ser polo econômico, de prestação de serviços e oferecer a melhor infraestrutura hoteleira para turismo da região Vertente da Serra do Caparaó. Entre os anos de 1880 e 1930, o café ganhou força na região e foi nesse período que se desenvolveu a produção de Manhuaçu. Mas hoje a cidade conta também com boa prestação de serviços e comércio diversificado.– “Foi aqui mesmo? Aqui? Sério?”, uma moça custava a acreditar no que contavam. Mas a notícia que corria de boca em boca estava correta: o primeiro casamento civil entre homens em Minas Gerais ocorreu em Manhuaçu, município de 80,5 mil habitantes, a 278 quilômetros de Belo Horizonte, na Zona da Mata. Na manhã dessa quinta-feira, Wanderson Carlos de Moura, de 34 anos, e Rodrigo Diniz Rebonato, de 18, foram declarados casados no Cartório de Registro Civil da cidade, por determinação do juiz da 1ª Vara Criminal, da Infância e da Juventude e de Execuções Fiscais da comarca, Walteir José da Silva.

Os dois poderiam ter assinado a união civil estável ou homoafetiva num Cartório de Notas, conforme reconheceu o Supremo Tribunal Federal (STF), em 5 de maio de 2011, e depois fazer a conversão para o casamento, mas preferiram encurtar o caminho com uma ação judicial. Agora, já têm a certidão de casamento lavrada no Cartório de Registro Civil. No papel, no lugar de solteiro, está escrito casado. O juiz, então, deu a sentença favorável.

“Eu achava que era o primeiro só de Manhuaçu, não sabia que nunca tinha acontecido em Minas. Além de realizar um sonho, a gente entrou para a história, né?”, declarou Wanderson, já com a aliança no dedo. Para assistir à cerimônia, cerca de 30 pessoas se apertaram na sala do cartório. A maioria era formada por jornalistas, familiares e amigos dos noivos, incluindo os quatro casais de padrinhos e madrinhas. Mas também havia os esperados curiosos, alguns fotografando com câmeras portáteis.

Às 10h30, meia hora depois do programado, a juíza de paz e a oficial de Justiça iniciaram, sorridentes, a celebração. Nervosos, Wanderson e Rodrigo mascavam chicletes. Depois de responderem que sim, queriam se casar por livre e espontânea vontade, trocaram um beijo rápido, o popular “selinho”, e se entregaram aos abraços e felicitações.

O pedido de casamento foi formalizado no cartório há cerca de 40 dias. Quando foi negado pelo Ministério Público estadual, sob o argumento de que a legislação permitiria apenas a união estável entre pessoas do mesmo sexo, não o casamento, o casal pensou em desistir. Mas, na terça-feira, foi publicado o deferimento do juiz Walteir José da Silva, titular da 1ª Vara Criminal, Infância e Juventude e Execuções Fiscais da Comarca de Manhuaçu. 

Em sua argumentação, o magistrado recorreu à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal, em maio de 2011, ao reconhecer a união homoafetiva estável. “Se a lei permite a conversão de união heterossexual estável em casamento e o casamento direto entre heterossexuais, se não permitíssemos o mesmo para homossexuais, estaríamos tratando de forma diferente situações idênticas”, explicou o juiz Walteir.

Ansiosos, Wanderson e Rodrigo mal dormiram na noite anterior ao grande dia. Começaram a se aprontar às 8h. Antes de passar lápis em torno dos olhos e brilho nos lábios, Wanderson ajudou o outro a espetar os cabelos com gel. Ambos usaram gravatas cor-de-rosa. “Ê, que chique!”, brincou a mãe de Rodrigo, a lavadeira Maria do Carmo Diniz, de 57. Na cerimônia, ela tirou os óculos, chorou discretamente e disse: “Ele (Wanderson) é um segundo filho para mim”.

A mãe de Wanderson, a empregada doméstica Iracema de Moura, de 67, não foi ao cartório. Justificou dizendo-se “tímida”, mas depois revelou sua insatisfação. “Gostar, não gosto, mas sou obrigada a aceitar. É filho, a gente tem de apoiar”, explicou, enquanto enxaguava uma roupa na lavanderia. “Vocês vão com Deus”, despediu-se dos noivos, quando rumaram para a cerimônia.

Wanderson e Rodrigo moram juntos há 10 meses. A casa, que fica nos fundos da residência da mãe, está erguida à beira de um barranco, em uma área classificada como de risco pela prefeitura. Os dois dizem não ter condições de procurar um lugar melhor. O mais velho trabalha em uma empresa como bordador. O outro, que “fazia de tudo um pouco”, está desempregado. O último trabalho foi como auxiliar de serviços gerais. Ambos estudaram apenas até a 5ª série.

Os problemas vão ser esquecidos pelo menos por uns dias, durante a lua de mel, feita na própria suíte, porque “a grana tá curta”. Os recém-casados sentem prazer em repetir os novos nomes: Wanderson Carlos de Moura Rebonato e Rodrigo Diniz Rebonato Moura. No retorno para casa, risonho, Rodrigo avisou ao companheiro: “Quero ver quem vai tomar você de mim, agora que você tem meu nome”.

Fonte: Estado de Minas

5 comentários:

Anônimo disse...

parabéns pela matéria !!este é o primeiro caso mas outros vão vir!!é vai ficar muito natural!!que maravilha de matéria gente!!estou emocionado!!e meus amigos aqui em vitória-Es aqui reunidos também!!parabéns manhuaçu pelo avanço na diginidade e cidadania lgbt !!valeu mesmo!!parabéns a todos!!!estamosaqui orgulho!!!

Anônimo disse...

gostei muito da matéria!!parabéns aos rescem casados !!a luta nossa continua!!estou aqui emocionado com a simplicidade e palavras da mãe!!valeu !!parabéns ao siteforumbahialgbt !!pela matéria !!espero que tenhamos muitos casamentos gay (civil)!!e que possamos emocionar !!estamos aqui em vitória-es curtindo osite !!!forum

Anônimo disse...

que linda matéria!!estou emocionado gente!1aqui em vitória-Es !!estou curtindo cada palavra desta matéria!!um dia esta história vai ser tão natural!!espero que seja logo!!parabéns manhuaçu e os noivos pela coragem!!espero que outros também realize a ação em prol da causa lgbt e por direito a cidadania e visibilidade lgbt !!valeu!!!

Anônimo disse...

paraéns aos noivos gente!!para´bens a manhuaçu pelo pioneirismo e vanguarda!!valeu!!!aqui em vitória-Es estamos agraciados com anoticia!!valeu!!

Fabinho disse...

Só posso ficar feliz pela história deles (os noivos) e rir com os comentários preconceituosos dos vizinhos ("não tenho nada contra, mas deveria ser proibido, deveriam ser um casal só dentro de casa, blá, blá, blá...).

Amei a matéria e, como já disseram aí em cima, aos poucos o casamento homo deixará de ser algo estranho para se consolidar como algo normal!!!

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