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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Maurício de Sousa diz que personagem fica no armário até sociedade aceitar os gays

1 comentários
“Precisamos vender para sobreviver, não podemos levantar bandeira fora da época”, afirmou o desenhista Maurício de Sousa ao Jornal do Comércio, ao ser entrevistado na edição de ontem e questionado sobre o destino do personagem Caio, supostamente gay.

Na sexta edição da revistinha Tina, lançada em novembro de 2009, o personagem Caio diz que “tem um compromisso” e fala ao amigo do lado “Não é, fala aí pra eles”. A insinuação foi suficiente para que os leitores e a imprensa acreditassem que Caio, dito melhor amigo da jornalista Tina, é homossexual. O episódio da edição 6 se chama “O triângulo da confusão”. A publicação “Tina” - do mesmo criador da Turma da Mônica, Maurício de Sousa - é voltada ao público jovem e adulto.

Em entrevista ao JC on line, esta semana,  ao ser indagado sobre o destino de Caio, o desenhista afirmou: “Como atingimos milhões de leitores, muitos grupos me procuram, mas sempre explico que o nosso material é comercial, tem um lado educativo, de incentivo à leitura, mas é sobretudo comercial. Precisamos vender para sobreviver, não podemos levantar bandeira fora da época. Temos que pegar a bandeira já passando. Por isso, mexer com etnias, minorias, tudo será feito em sua época adequada, quando a sociedade já estiver aceitando. Não posso, nem pretendo me aventurar a lançar um personagem que vai quebrar paradigmas, arrebentar com o sistema. É uma responsabilidade muito grande que tenho com meus editores, distribuidores, desenhistas e toda uma equipe comercial com quem trabalho. Aos poucos, vamos nos adequando à realidade social, tudo com naturalidade. Em relação a esse personagem, houve uma interpretação de que ele fosse gay. Talvez ele seja, nem seu sei. Por causa da gritaria, da polêmica, dei um tempo no assunto e vou aguardar o momento certo”, respondeu o empresário que também disse ao jornal pernambucano que novos personagem seus terão sotaques regionais.

Fonte: Lado A

1 comentários:

Fabinho disse...

Gostei pela lucidez do Maurício.

Ele não é um fanzineiro de internet, é o maior quadrinista brasileiro e o de maior sucesso em todos os tempos, e tem toda uma estrutura comercial em torno dele que multiplica ainda mais suas responsabilidades.

Estou com ele. O Brasil precisa mudar para aceitar um personagem gay numa revistinha infanto-juvenil.

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